WWI

Worldwatch Institute



O EXEMPLO DE CURITIBA

REFREANDO A EXPANSÃO PARA COMBATER A MUDANÇA CLIMÁTICA


Caso os governos não ajam rapidamente para desencorajar a construção de cidades para automóveis, o esforço internacional para controlar o aquecimento global será infinitamente maior, informa um novo estudo do Worldwatch Institute. A expansão das áreas urbanas está tornando os transportes a fonte de crescimento mais acelerado de emissão de carbono que aquece a atmosfera terrestre.

“Turbinas eólicas, carros eficientes em termos de energia e outras novas tecnologias foram alvo de muita atenção nos recentes debates sobre políticas energéticas, mas estamos negligenciando o papel que o planejamento urbano pode desempenhar na estabilização do clima,” declara Molly O’Meara Sheehan, autora de City Limits: Putting the Brakes on Sprawl “. Problemas locais, como vias congestionadas, ar poluído e bairros degradados já provocam reações contra a expansão urbana. A compreensão do papel desta expansão na alteração do clima aceleraria a mudança em direção a mais parques e menos estacionamentos. Podemos ter cidades mais saudáveis, mais habitáveis, e ao mesmo tempo proteger o planeta contra a mudança climática.”

Os Estados Unidos possui as cidades mais dependentes de automóveis do mundo. Os motoristas norte-americanos consomem aproximadamente 43 porcento da gasolina mundial para conduzir menos de 5 porcento da população global. Até o fim da década, a maioria das pessoas estará habitando áreas urbanas. Decisões de planejamento urbano tomadas hoje, especialmente nas cidades do mundo em desenvolvimento onde o uso de automóveis ainda é baixo, terão um enorme impacto no aquecimento global nas décadas futuras. A adoção do modelo centrado no automóvel, especialmente nas cidades onde o uso do veículo ainda é baixo, trará conseqüências desastrosas.

Daqui a trinta anos, por exemplo, a China [excluindo Hong Kong] deverá ter 752 milhões de moradores urbanos. Se cada um copiar os hábitos de transporte do habitante médio da área de São Francisco em 1990, as emissões de carbono do transporte urbano, apenas na China, poderá exceder 1 bilhão de toneladas, aproximadamente a mesma quantidade de carbono liberada em 1998 por todo o transporte rodoviário mundial.

Sheehan ressalta as cidades onde já foi comprovado que uma estratégia de desestímulo do automóvel e, em seu lugar, a promoção do transporte público, pode funcionar. Um exemplo digno de nota é a cidade de Curitiba, no Brasil. A partir de 1972, Curitiba iniciou um sistema de vias exclusivas de ônibus, desenvolvendo um plano de zoneamento urbano de maior densidade ao longo destas rotas, e está hoje proporcionando melhor qualidade de ar e maior número de áreas verdes para seus 2,5 milhões de habitantes.


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