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GRAVE RELATÓRIO TÓXICO SACODE O MUNDO

 

Quarta-feira, 21 de março, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgaram seu Relatório Nacional sobre a Exposição Humana aos Produtos Químicos Ambientais (o relatório completo pode ser acessado em http://www.cdc.gov/nceh/dls/report). A Pesquisadora Sênior do Worldwatch Institute, Anne Platt McGinn, autora de Why Poison Ourselves: A Precautionary Approach to Synthetic Chemicals, comenta as conclusões do relatório CDC e os efeitos dos produtos tóxicos à saúde.

 

O relatório CDC deverá colocar em destaque alguns dos riscos mais sérios – todavia ignorados – afetando a saúde humana hoje. Através de nova tecnologia que mede os produtos químicos diretamente em amostras de sangue e urina, o relatório CDC fornecerá dados sobre os níveis reais dos produtos químicos nos seres humanos. Os tóxicos sob análise incluirão chumbo, mercúrio e urânio; os produtos decompostos (ou metabolitos) de vários pesticidas contendo organofosfato (cerca da metade de todos os inseticidas utilizados nos Estados Unidos); metabolitos de ftalatos (aditivos encontrados em plásticos, especialmente em PVC); e cotinina (um produto decomposto da nicotina).

 

“Este relatório deverá sacudir a opinião pública. Sabemos já há muito tempo que produtos químicos como chumbo, mercúrio e pesticidas com organofosfatos estão entre os mais tóxicos da Terra, mas até agora faltavam dados mais abrangentes,” declara McGinn. “Acredito que os novos dados nos proporcionarão uma visão muito mais completa de como estes produtos prejudicam as pessoas.”

 

Um estudo recente da Academia Nacional de Ciência dos EUA, indica que em cada quatro problemas que afetam o desenvolvimento e comportamento das crianças hoje, um pode estar relacionado a fatores genéticos e ambientais incluindo compostos neurotóxicos como chumbo, mercúrio e pesticidas com organofosfato.

(http://www.nap.edu/books/0309070864/html/)

 

“Chegou a hora de aplicar o princípio da precaução na regulamentação dos produtos químicos tóxicos,” declara McGinn. “Antes que aconteçam conseqüências trágicas precisamos exigir dos fabricantes a comprovação da segurança de um produto químico antes de quantidades imensas serem liberadas no meio-ambiente. E precisamos agir com urgência na adoção de substitutos mais seguros, onde existam.”

 

Segue abaixo um resumo dos riscos conhecidos à saúde de alguns dos produtos químicos tóxicos mencionados na pesquisa do CDC.

 

 

Riscos químicos à saúde:

 

 

Chumbo

 

O chumbo é encontrado em tintas, tubulações antigas, na eletrônica, cerâmica esmaltada e solos contaminados. É uma toxina que afeta a reprodução e o desenvolvimento, reduzindo a fertilidade e provocando aborto.

 

 

Mercúrio

 

O mercúrio inorgânico é utilizado em equipamentos elétricos e alguns fungicidas. A incineração de lixo hospitalar, baterias, lâmpadas fluorescentes e outros produtos libera mercúrio. O mercúrio orgânico é a forma mais perigosa, pois é absorvido pelo corpo e penetra facilmente no cérebro e na placenta. A maioria da exposição ao mercúrio orgânico advém da ingestão de peixes importantes da cadeia alimentícia, como o atum, espada, tubarão e lúcio. Igualmente ao chumbo, o mercúrio é uma toxina que afeta a reprodução e o sistema nervoso.

 

 

Pesticidas com Organofosfato

 

Os pesticidas com organofosfato compõem cerca de metade de todos os inseticidas utilizados nos Estados Unidos. São pulverizados em lavouras como milho, algodão, frutas, verduras e legumes, e utilizados em produtos domésticos de controle de pragas e em aspersores de jardins. São derivados do ácido fosfórico e foram desenvolvidos como agentes nervais durante a II Guerra Mundial. No último verão, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos cancelou os registros de vários usos de clorpirifós – amplamente utilizados em pulverizações de frutas, verduras e legumes para matar insetos e em produtos para controle de cupim e tratamento de jardins – por provocarem riscos à saúde das crianças. 35 milhões de quilos de organofosfatos são utilizados anualmente.

 

 

Ftalatos

 

Ftalatos são aditivos aos plásticos, especialmente PVC, que lhes conferem uma variedade de características que vão desde a flexibilidade até a retardação de chamas. Por não estarem quimicamente ligados ao plástico, os ftalatos podem vazar para o meio-ambiente. Em animais silvestres e de laboratórios, foram relacionados a efeitos na saúde reprodutiva, inclusive redução de fertilidade, aborto, defeitos congênitos, contagem anormal de esperma e dano testicular, como também câncer do fígado e dos rins. Quase 500 milhões de quilos são produzidos anualmente só nos Estados Unidos.

 

 

Cotinina

 

A cotinina fornece uma indicação de exposição à nicotina. Dois terços da fumaça dos cigarros não é tragada pelos fumantes, mas é liberada no ambiente circunvizinho. Conseqüentemente, os não-fumantes inalam os mesmos produtos químicos contidos na fumaça do fumo que os fumantes, com efeitos semelhantes, embora em menor grau. Cerca de 4.000 produtos químicos tóxicos (incluindo 50 cancerígenos conhecidos) foram identificados na fumaça do cigarro, incluindo benzeno, cianureto, cádmio, chumbo, polônio radiativo, benzo(a)pireno, amônia, monóxido de carbono e nicotina. Estes produtos químicos podem causar câncer, doenças cardíacas e asma, entre outras.

 

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