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Edição 742


em primeiro lugar - 13/6/2001


Edição: David Cohen

VIVA A GERAÇÃO ALTERNATIVA
1flavin.gif (22424 bytes)Que energia você quer?


Por Marcelo Onaga

Com toda essa crise de energia, e a crise política derivada da crise de energia, é natural que se veja como benéfica e desejável qualquer solução que afaste o perigo de apagões e garanta força para o país crescer. É aí que mora o perigo, diz Christopher Flavin, o presidente do Worldwatch Institute, uma organização não governamental que se dedica à defesa do meio ambiente. Não é em qualquer energia que se deve investir.

"O aquecimento do planeta, o derretimento das calotas polares, o aumento do nível dos oceanos, a morte dos corais, esses são preços caros demais para pagar", diz Flavin, uma das maiores autoridades do mundo em energia alternativa. Ele esteve no Brasil na primeira semana de junho para uma série de palestras e deu uma boa notícia -- para as próximas gerações. Segundo Flavin, o país tem grande potencial para tornar-se um líder energético em um novo cenário econômico, no qual o petróleo daria lugar ao hidrogênio. "O hidrogênio é o combustível do futuro. Não polui e não acaba", diz o pesquisador. E o Brasil tem fontes naturais gigantescas para produzir hidrogênio.

Isso não é para já. Como o petróleo no início do século, o hidrogênio vai precisar de décadas até tornar-se tecnológica e economicamente viável e virar a principal fonte de energia do mundo. Enquanto isso, é preciso continuar gerando e usando energia. "Há outras fontes, como a solar, a dos ventos, a da biomassa (bagaço de cana, palha etc.), que não poluem e em termos proporcionais estão crescendo mais que qualquer outra." Flavin diz que o ideal é ter uma base energética diversificada. "Até o petróleo vai continuar tendo importância, mas é preciso usá-lo de forma mais responsável."

A sociedade já está cobrando essa responsabilidade, diz o pesquisador. Em alguns países da Europa, a Exxon vem sofrendo boicotes por se opor ao Protocolo de Kioto, um tratado assinado por 180 países que determina a redução de emissão de carbono em 5% até o ano 2012. Flavin diz que, nos Estados Unidos, algumas empresas estão melhorando sua imagem e as vendas, por usar energia limpa -- mesmo pagando mais caro por ela. A filial americana da Sony anuncia em seus produtos que só utiliza "energia verde" para fabricá-los e está ganhando a simpatia dos consumidores. "A sociedade não aceita produtos feitos com mão-de-obra infantil e não vai aceitar objetos que utilizem energia poluente", diz.

A microgeração é apontada pelo pesquisador como outra tendência energética para o futuro. Isso já está ocorrendo em alguns países que enfrentam crises de energia. Pessoas e empresas compram pequenos geradores para garantir o fornecimento de eletricidade. "Já é um começo, apesar de esses geradores utilizarem diesel." Em alguns países, como Estados Unidos e Japão, já existem células de combustível que utilizam o hidrogênio e substituem os geradores a óleo. "Ainda são equipamentos caros, mas a tendência é que se popularizem", diz.

Para Flavin, o Brasil deveria incentivar mais a construção de pequenos núcleos geradores do que grandes termelétricas. "São mais eficientes e geram energia mais barata e menos poluente", avalia. Ele diz que o Brasil tem recursos naturais renováveis excelentes para gerar energia e também para produzir hidrogênio. "Há um potencial enorme em fontes eólicas (do vento), há muito sol e biomassa. O Brasil tem tudo para ser um exportador de hidrogênio", afirma Flavin.

Quer dizer, até em energia parece que o Brasil é o país... do futuro.

WWI-Worldwatch Institute no Brasil www.wwiuma.org.br

Foto: Daniela Picoral

 


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