São Paulo, domingo, 25 de novembro de 2001


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ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES

Uma oportunidade a ser enfrentada!

A entrada da China na Organização Mundial do Comércio constitui a abertura de um mercado gigantesco, que tem de alimentar 1,3 bilhão de pessoas. Está aí uma grande oportunidade para o Brasil dobrar ou triplicar as suas exportações de alimentos.
Os problemas da China são gravíssimos. A água e as terras cultiváveis estão cada vez mais escassas. Para ter uma idéia, o lençol freático dos arredores de Beijing perde um metro de água por ano! Isso é desesperador. O país está reduzindo 850 mil hectares de cultivo anualmente.
A pouca água e terra existentes é disputada pela agricultura, pela indústria, pela construção de estradas e conjuntos habitacionais e por outros empreendimentos. As chances de a China elevar a produtividade da agricultura nessas condições são pequenas.
Ao mesmo tempo, a população cresce 15 milhões por ano! O país terá 1,6 bilhão de habitantes em 2030. A renda per capita está subindo aceleradamente. Em consequência, as dietas estão incluindo mais carnes, ovos e leite -o que depende de grãos. Dentro de pouco tempo, a China precisará importar cerca de 300 milhões de toneladas de grãos por ano, o que é muito mais do que a soma das exportações de grãos do mundo inteiro (Lester Brown, "The State of the World", Nova York, 1993). Apesar de sério, o problema da China terá de ser resolvido. A última fome que abateu o país foi nos anos de 1959 a 1961, dizimando 30 milhões de chineses.
Se algo semelhante vier a ocorrer nos dias atuais, a instabilidade social e política será severa, razão pela qual a questão da alimentação é tratada pelo governo chinês dentro do capítulo da segurança nacional.
A se manter o alto crescimento econômico que marcou a China nos últimos 15 anos, o país terá divisas para pagar gigantescas importações de alimentos. Mas quem vai alimentar a China?
O Brasil é um candidato natural. Poucos países têm as extensões de terra cultiváveis que nós temos. Raros contam com a quantidade de sol e água existente no Brasil. Poucos dominaram o cerrado como nós dominamos para plantar trigo, arroz, frutas, soja e outras leguminosas.
Além disso, o Brasil tem avançado muito na produtividade da agricultura, da avicultura e da pecuária, o que nos torna um produtor e exportador de grande escala para ajudar a resolver o problema da China. E não só o da China, pois o Japão importa 77% dos grãos que consome; Taiwan, 67%; a Coréia do Sul, 64%.
A implantação de uma política bem pensada no campo dos alimentos, incluindo-se a remoção dos empecilhos da infra-estrutura e do abominável custo Brasil, podem gerar uma imensa quantidade de empregos e aliviar significativamente a pressão cambial.
Trata-se de uma oportunidade de ouro. Repetindo, não nos faltam terras agricultáveis, muito sol e água. Nesse campo, não dependemos de ninguém para melhorar as condições sociais dos brasileiros. Tudo isso pode ser realizado por meio do trabalho organizado e de exportações bem-feitas.


Antônio Ermírio de Moraes escreve aos domingos nesta coluna.


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