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Entrevista com Chris Bright, pesquisador sênior do World Watch. Ele afirma que os EUA têm o pior comportamento ambiental do planeta.

"O que acontece no Brasil afeta o ambiente do planeta"

A nova edição do livro Estado do Mundo - 2001, visto pela comunidade científica internacional como uma bíblia ambiental, é aberta com referências ao Brasil. É a primeira vez que o país ocupa um lugar de destaque no estudo publicado desde 1984 pelo Instituto Worldwatch. Já nas primeiras páginas do capítulo 1, Planeta Rico, Planeta Pobre, descobre-se o motivo. Pela conclusão dos pesquisadores, nove países têm condições de melhorar a saúde do planeta. O Brasil faz parte deste seleto time, denominado Enviromental 9, ou apenas E-9. Em uma recente viagem ao estado da Bahia, o presidente do instituto, Christopher Flavin, encantou-se com as praias e com o que resta da Mata Atlântica. A exuberância de recursos naturais ladeados por bolsões de miséria e núcleos de alta tecnologia impressionou o pesquisador e o inspirou a citar o país como uma síntese da situação do estado do mundo no novo milênio. Nesta entrevista à VEJA on-line, o pesquisador sênior do Worldwatch, Chris Bright, fala do meio ambiente do planeta e explica por que o Brasil é visto como a maior potência ambiental do mundo. Alguns trechos da entrevista, como o que menciona a redução do volume de gelo no ártico, produzindo o aquecimento dos oceanos, revelam a preocupação dos especialistas com a degradação ambiental.

VEJA on-line - Por que o Brasil é citado no primeiro capítulo do livro?
Chris Bright - Acreditamos que um número pequeno de países, nove ao todo, tem o poder de afetar o ambiente global. E o Brasil tem lugar de destaque neste grupo, que chamamos de E-9. Se conseguirmos organizar a política nos integrantes do E-9, podemos descobrir um jeito de reverter a degradação do ambiente.

VEJA on-line - Por que o Brasil faz parte desse grupo?
Bright - Por várias razões. Uma delas é o consumo de energia, a queima de óleo. Se você se perguntar quais países têm os maiores consumos de energia per capita, o Brasil estará nesta lista. Outra é que o país é a maior potência ambiental do mundo. Tem a maior biodiversidade, não possui conflitos étnicos, raciais e religiosos. Enfim, é uma cultura da paz.

VEJA on-line - Os brasileiros se acostumaram a acreditar que o país só ganha atenção dos ambientalistas por causa da Amazônia. Esta visão está certa?
Bright - Está, mas não completamente. O que o Brasil faz, como age por exemplo em relação ao consumo de energia, também tem repercussão global. Mas todos sabem que a Amazônia brasileira contém 40% da floresta tropical remanescente no mundo. O que acontece com ela terá conseqüências muito importantes no comportamento da "máquina" do planeta, do clima.

VEJA on-line - E como está o planeta?
Bright - Muito doente. Eu e muitos dos meus colegas achamos que ele está mais doente do que parece. Há um fenômeno pelo qual eu particularmente me interesso. Eu o chamo de surpresas do meio ambiente, que são mudanças inesperadas. No clima, na vegetação, no surgimento de alguns tipos de poluição.

VEJA on-line - O senhor pode dar um exemplo?
Bright - O Ártico é coberto por uma capa de gelo importante para todo o sistema climático. A extensão do gelo no mar do Ártico está diminuindo 3% por década. Nesse ritmo, daqui a 350 anos o ártico estará completamente derretido. Parece bastante tempo. O que não está tão aparente é que o oceano de gelo não está diminuindo apenas em extensão, mas também em espessura. Ou seja, não está diminuindo apenas 3% por década, mas 15%. Vai ficando cada vez mais fino e menor, até não ter mais gelo na época do verão. É algo que não queremos ver por uma série de razões. O gelo no Ártico reflete de volta para o espaço cerca de 80% da luz que o atinge, e só 20% é absorvida. Num oceano "aberto" (normal) é o contrário, 80% da luz é absorvida e apenas 20%, refletida.

VEJA on-line - Qual o problema disso?
Bright - Se perdermos o gelo, teremos um oceano mais aquecido. Veremos o aquecimento acelerado do globo, no modo como se absorve a luz do sol. E isso é muito ruim.

VEJA on-line - Quanto tempo temos até essa tragédia acontecer? Bright - Não temos certeza, nem mesmo sabemos se isso vai realmente acontecer. Mas o que eu posso afirmar é que a calota polar está ficando mais fina, e a conseqüência pode ser terrível e mais rápida do que pensamos.

VEJA on-line - Que novidade a edição deste ano traz?
Bright - Umas das novidades é o declínio do número de anfíbios e outra é a poluição das águas subterrâneas. O estrago é grande. Ainda não sabemos o que podemos fazer sobre isso. Trata-se de um manancial que não se recompõe facilmente. Uma vez que a água do lençol freático está poluída, é muito difícil despoluí-la.

VEJA on-line - Temos alguma boa notícia para dar?
Bright - Sim. As tecnologias para produção de fontes de energia renovável, a chamada energia econômica, como a eólica (dos ventos), evoluíram muito em relação a uma década atrás. Estas tecnologias estão sendo aprimoradas em países como Espanha, Índia, Alemanha, Dinamarca e Islândia.

VEJA on-line - Numa avaliação sobre os cuidados com o planeta, qual país ganharia a pior nota?
Bright - Os Estados Unidos, acredito, são o maior emissor de gás carbônico per capita. Esse é um dado ruim porque eles sabem desse mal, as pesquisas estão lá, assim como o dinheiro e as condições para resolver o problema. Mas, por causa da maneira como a economia está sendo conduzida, o problema está sendo pessimamente tratado. Os EUA usam mais de um quarto da energia do mundo.

VEJA on-line - E como está o Brasil?
Bright - Vários governos brasileiros desenvolveram milhares de projetos focados no desenvolvimento da Amazônia, e eles são muito controversos. A comunidade científica internacional está muito preocupada com o efeito que esse desenvolvimento terá na cobertura da floresta amazônica.

VEJA on-line - O que os brasileiros podem fazer?
Bright - Cobrar do governo federal e se envolver com ele na busca de soluções.

VEJA on-line - Se em dez anos não fizermos nada, o que vai acontecer?
Bright - Vamos acumular problemas que se tornarão insolúveis, como o da chuva ácida na América do Norte. Ou a perda da água subterrânea, especialmente em países como a China, no centro-oeste da Ásia, em partes da Índia e nos Estados Unidos. E aí o problema é também econômico. Os preços de alimentos como milho e arroz aumentam, principalmente nos países exportadores de grão, quando a água subterrânea está comprometida.

. Leia o primeiro capítulo do livro, que aponta o Brasil como uma grande potência ambiental do mundo



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